sexta-feira, 23 de junho de 2017

Portos paulistas respondem por 29,7% da balança comercial.




Com uma movimentação de 158 milhões de toneladas no ano passado, os portos de Santos e de São Sebastião (este, no Litoral Norte do Estado) escoaram 15,8% das cargas que passaram pelo sistema portuário nacional. Em valor, esses produtos somaram US$ 95,9 bilhões, 29,7% da balança comercial do País. 

Estes dados estão entre as informações que podem ser conferidas no Anuário dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo - 2017, publicação que será lançada na noite desta quarta-feira (21), em Santos, pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp). A iniciativa integra o plano da entidade de se consolidar como um centro de inteligência do setor. 

No Porto de Santos, o Sopesp reúne 42 empresas, cerca de 70% das que atuam no segmento. Juntas, elas foram responsáveis, em 2016, pela movimentação de 110,5 milhões de toneladas, garantindo uma receita de US$ 92,1 bilhões. 



E neste ano, a entidade passou por uma reformulação. Além da contratação de profissionais de mercado, ela adquiriu uma nova sede, mais moderna, e procura investir na comunicação com as empresas associadas e a sociedade civil. 

“A ideia é abrir as portas, ter os associados mais perto. A fase de luta laboral existe, mas ela está em menor escala. Hoje, uma das nossas bandeiras é desenvolver o negócio para o operador portuário. É a gente procurar caminhos de busca de eficiência, redução de custos, conseguir novos negócios. Não só em Santos, mas em toda a abrangência do sindicato”, destacou o vice-presidente do Sopesp, João Batista Almeida Neto.

De acordo com o Anuário, a movimentação de cargas em Santos apresentou um crescimento de 8 milhões de toneladas entre 2010 e 2016. Já o número de atracações apresentou uma queda de 1.311 manobras, o que mostra que, nos últimos anos, cada navio atracado no complexo santista movimentou cerca de 5 mil toneladas a mais, em média. 

“A gente ainda tem muita oportunidade para aumentar os níveis de movimentação, buscando eficiência e baixando custo. Então, é uma possibilidade real de a gente tentar agregar mais valor ao negócio de cada operador. O nosso segmento não visa só aquele grande operador do Porto. Tem os menores e eles precisam até mais do nosso apoio. Essa é a visão para o futuro”, destacou Almeida.

Parceria

Esta nova fase da entidade também é marcada por parcerias com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a administradora do Porto de Santos. Uma das mais importantes é a que resultou na programação da dragagem de berços do cais santista.

“Quando o Sopesp assumiu o cronograma (do serviço), a gente começou a identificar coisas boas e coisas que tinham oportunidade de melhoria. Aprendemos e mostramos os pontos em que a Codesp também poderia melhorar. O resultado foi um maior controle na operação da dragagem e nós conseguimos, hoje, indicar onde está o problema. Se você não tem controle de gestão, você se perde”, destacou o vice-presidente. 

Para o diretor-executivo do Sopesp, José dos Santos Martins, o novo foco da entidade vai forçar uma mudança comportamental nas empresas do setor portuário. Para ele, o lançamento do Anuário é um legado para a comunidade.

“Tudo tem seu tempo. O início do Sopesp foi muito massacrante porque tivemos, nesses 10 a 15 anos, muita briga com negociação coletiva. O foco ficou voltado para a negociação porque essa era a necessidade. Passado esse estágio, a nossa visão de negócio é diferenciada. Queremos um banco de dados, um site, uma comunicação com esse cliente para que ele possa se integrar mais nesse processo”.



Fonte: A Tribuna

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Novo atraso adia expansão do Pecém para o fim de 2017.



As obras da segunda expansão do Porto do Pecém não deverão ser entregues até o dia 30 deste mês, mas só no fim de 2017, diferentemente da última previsão feita pelo governo estadual. Atualmente, os serviços apresentam 85% de execução, de acordo com a Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra).

Os trabalhos avançaram pouco em sete meses. Em novembro de 2016, 81% da ampliação havia sido concluídos. Orçado em R$ 640 milhões, o projeto inclui a pavimentação e ampliação do quebra-mar.

O projeto de expansão também contempla a construção de mais três berços de atracação de navios cargueiros ou porta-contêineres, que vão operar com carga geral e também com produtos da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).

Equipamentos

Os berços 7 e 8 estão concluídos. Já o berço 9 deveria ser entregue até o fim deste mês, mas ainda está com 81% dos serviços executados, conforme a Seinfra.

Iniciada em dezembro de 2013 e prevista para ser concluída em 2015, a expansão ainda prevê uma nova ponte de acesso ao quebra-mar, permitindo o trânsito de caminhões para movimentação de placas, além da instalação de transportadores de correia para viabilizar a operação nos futuros terminais de granéis sólidos.

A correia transportadora de minério de ferro foi entregue em agosto de 2016 pelo governador Camilo Santana e funciona no píer 1 do porto. Desde 2012, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) conta com uma correia transportadora de carvão mineral.

Melhorias

Segundo a Seinfra, a nova ponte de acesso tem 55% de avanço nos serviços. "A previsão é de que a obra completa seja entregue até o fim de 2017. Outras melhorias que podemos destacar no Porto do Pecém foram a chegada de equipamentos que incrementaram ainda mais a movimentação de cargas através do terminal portuário cearense", acrescenta a Seinfra.

Ainda conforme a Secretaria, o Governo do Ceará investiu mais de R$ 1 bilhão em obras na ampliação e modernização do Porto do Pecém, que deverá firmar parceria com o Porto de Roterdã. "Com a entrega das obras e o pleno funcionamento da CSP, a expectativa é que o movimento de cargas no terminal aumente em até cinco vezes. Esse crescimento colocará o Pecém em posição de destaque no cenário portuário internacional, tornando-o um dos mais eficientes do mundo e gerando mais empregos e renda para o Ceará", conclui a Seinfra.

Fonte: Diário do Nordeste

Porto do Mucuripe espera dragagem desde 2014. Edital deve sair neste ano.




Solicitação encaminhada pela Companhia Docas do Ceará (CDC) ao governo federal ainda em 2014, a dragagem do Porto do Mucuripe, em Fortaleza, é um projeto que ainda deverá demorar para sair do papel. A indefinição da obra vem gerando impactos negativos para o turismo local, afastando companhias de cruzeiros, que precisam atracar longe do Terminal Marítimo de Passageiros, causando transtornos aos visitantes. A previsão é que o edital de contratação do serviço seja lançado ainda neste ano.

Atualmente, os turistas que chegam à Capital cearense nessas embarcações têm de descer no porto antigo e ir de ônibus até o terminal de passageiros, que recebe eventos como feiras e shows. Representantes da cadeia produtiva do turismo de Fortaleza vêm reclamando do inconveniente, um impasse que causa desinteresse nas companhias de cruzeiro e, consequentemente, prejudica a economia da cidade.

O objetivo da dragagem de manutenção do Porto de Fortaleza é melhorar as condições de navegabilidade e atracação dos navios que embarcam e desembarcam passageiros de cruzeiros. Conforme o edital, as profundidades do canal e do berço deverão ficar acima de 14 metros e de 13 metros, respectivamente.

Relevância

Em março de 2014, quando lançou o edital para a dragagem do Porto de Fortaleza, o governo federal destacou que a construção do terminal de passageiros abriria caminho para a consolidação da atividade turística na região. Por isso, era "necessária a adequação do acesso aquaviário e a manutenção da profundidade do berço para garantir a movimentação dos navios".

O projeto está incluído no Programa Nacional de Dragagem (PND), instituído pela Lei 11.610/2007, criado para reduzir os gargalos que limitam os acessos marítimos aos portos brasileiros.

Certame

A licitação deverá ser feita pelo regime de Contratação Integrada, previsto no artigo 9º da Lei 12.462/2011. O certame compreenderá a elaboração do projeto básico e projeto executivo, a execução dos serviços de dragagem do terminal portuário de Fortaleza, além de todas as demais operações necessárias para a entrega da obra.

Responsável pela administração do Porto de Fortaleza, a CDC informa que já realizou todos os procedimentos necessários à realização da obra e aguarda uma decisão do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Em nota, o ministério informou que "a Companhia Docas do Ceará está realizando as sondagens necessárias para conclusão do projeto básico" e que o edital de contratação da obra deverá ser "lançado ainda neste ano".

Enquanto o projeto não sai, a CDC realiza a recepção dos navios de cruzeiro em seu Berço 105 e TMP (Terminal Marítimo), mediante autorizações expedidas pela Alfândega do Porto de Fortaleza.

Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 13 de junho de 2017

Terminal de Outeiro ainda não foi concluído e obras estão abandonadas.




Corredores escuros e silenciosos por onde transitam poucos funcionários. Salas fechadas, sem móveis. Estacionamento com vagas de sobra. Debaixo das chuvas torrenciais que atingem a região metropolitana de Belém, a sede administrativa e o armazém do Terminal Portuário de Outeiro não escondem seu estado de abandono. Dos sete barracões que compõem a estrutura de 18.000 metros quadrados, apenas quatro são cobertos – e, neles, as goteiras estão por todos os cantos.

Não há cargas aguardando o transporte nem previsão de embarques ou desembarques nos dois píeres que avançam sobre as águas do estuário do Rio Guajará-Açú, na margem direita da Baía do Guajará. Cobertas por poeira e teias de aranha, centenas de peças metálicas de uma esteira, que deveria ser usada para o transporte de cargas entre armazéns e navios, aguardam uso em um canto da estrutura.

Há cinco anos, os discursos oficiais indicavam um destino bem diferente para o terminal encravado na ilha fluvial de Caratateua, a 20 quilômetros do centro da capital paraense. O projeto, capitaneado pela Companhia Docas do Pará (CDP), em parceria com entidades do agronegócio como a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), previa implantar ali uma das principais estruturas destinadas à exportação de grãos do Brasil, com capacidade para escoar até 18 milhões de toneladas de milho e soja a cada safra.





Um investimento bilionário, público e privado, que permitiria mudar, juntamente com o Porto de Itaqui (MA), o eixo do transporte de cargas agrícolas dos portos do Sul e Sudeste para o chamado Arco Norte. De lá para cá, porém, vieram a crise econômica, novas regras de administração portuária, instabilidade política, troca não programada de presidente, novos ministros e secretários – e, em meio a esse turbilhão, os planos audaciosos para Outeiro não foram além das fundações para a construção de silos de armazenagem dos grãos que viriam do Centro-Oeste.

Para piorar, obras tidas como fundamentais não seguiram o ritmo esperado. A pavimentação do trecho paraense da BR-163, caminho mais curto para a produção de grãos de Mato Grosso, não se concretizou em 2013, tal como planejado. O derrocamento do Pedral do Lourenço, um afloramento rochoso de 43 quilômetros de extensão que impede a navegação contínua na hidrovia do Rio Tocantins entre os meses de setembro e novembro, teve sua licitação concluída apenas no ano passado e ainda não saiu do papel.

Engana-se, porém, quem imagina que o cenário logístico da Região Norte e, em especial, do Pará seja de estagnação. Impulsionado principalmente pela iniciativa privada, um entreposto graneleiro local a cada ano ganha escala. Essa mescla de avanços e desafios ainda a superar foi vista de perto pela reportagem de Globo Rural em mais uma etapa do projeto Caminhos da Safra. A partir de Belém, a equipe visitou as estruturas subutilizadas do Terminal de Outeiro e conheceu o Porto de Vila do Conde, na região de Barcarena, onde três grandes projetos privados, com capacidade para movimentar até 16 milhões de toneladas de granéis, exportam pouco mais de 4 milhões de toneladas.

Na história da construção da rota de escoamento pelo Arco Norte, o período de 2009 a 2012 foi de grande otimismo para os técnicos da Companhia Docas do Pará (CDP). Estavam em pleno andamento os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental para um amplo programa de arrendamento que permitiria converter os portos de Outeiro e Vila do Conde em destinos prioritários para granéis agrícolas.

Concluídos em 2012, os estudos não deixavam dúvidas sobre a vocação das áreas que seriam colocadas em oferta (três em Outeiro, uma em Vila do Conde). O fato é que, logo após esse momento, todo o cenário portuário brasileiro passou a mudar rapidamente. E, no caso da CDP, para pior.

“Em 2013, apesar de algumas autoridades portuárias, como era nosso caso, terem concluído a formatação de seu programa de arrendamento, o governo federal cochilou e não lançou essas ofertas no mercado”, relata Guilherme Braga, diretor de planejamento de mercado da CDP.

Em seguida, veio a edição da nova Lei dos Portos (12.815), em cinco de junho de 2013, que, na visão do diretor, “foi boa para o setor privado, mas ruim para os portos públicos”. “Na legislação anterior, a autoridade portuária tinha sua autonomia: você recebia o interessado, discutia o projeto e preparava um estudo de viabilidade para a licitação. Com a nova lei, os programas de arrendamento ficaram concentrados na mão do chamado poder concedente, no caso, a Secretaria de Portos, hoje o Ministério dos Transportes. E não há estrutura para dar vazão à demanda”, afirma.

Questionamentos formulados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) acabaram por emperrar de vez o processo. A situação indefinida de Outeiro, segundo ele, é resultado direto desse contexto. “Foi criado um hiato muito grande. Será preciso rever o estudo de viabilidade, que foi feito em outra legislação, com uma conjuntura e situação de mercado distintas”, avalia Guilherme.

Em Vila do Conde, o arrendamento da área reservada para grãos pela CDP não foi concretizado e, de acordo com a companhia, também vai exigir readequação dos estudos de viabilidade. “Temos de encontrar soluções de mercado e de engenharia que tornem atrativo o investimento no porto público, e não numa área fora dele, como vem acontecendo”, diz.

Eduardo Carvalho, presidente do Movimento Pró-Logística do Pará

Capital privado

O investimento em terminais privados na vizinhança do porto público de Vila do Conde cresceu vigorosamente nos últimos quatro anos. No período, foi erguido e colocado em operação um polo privado de recepção e escoamento, com capacidade para 15 milhões de toneladas de grãos. Entre 2014 e 2016, a movimentação de grãos na região de Barcarena saltou 200%, de pouco mais de 1,5 milhão de toneladas para 4,5 milhões de toneladas.

Segundo estimativa da Amport (Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica), que reúne 14 empresas que investem em logística na região, os projetos destinados ao Arco Norte já somam R$ 4 bilhões.

Somente para a operação das hidrovias do Brasil, iniciada a partir de agosto de 2016, mais de R$ 2 bilhões foram direcionados para a construção do TUP (Terminal de Uso Privado) de Vila do Conde e da Estação de Transbordo de Carga (ETC), em Miritituba, ao sul do Pará. “Toda a operação foi construída em uma localização estratégica, para escoamento de grãos e para importação de fertilizantes”, diz o CEO da companhia, Bruno Serapião.

O grande alimentador do sistema de Vila do Conde é o complexo de estações de transbordo de Miritituba, cuja operação depende diretamente da conclusão da pavimentação da BR-163, a cargo do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Com os atoleiros e as filas de caminhões que se formaram na BR, a Amport estima que 1 milhão de toneladas tenham sido perdidas para outras rotas de escoamento.

“Quanto mais criamos entraves no sistema Norte, mais fomentamos a competitividade nos sistemas do Sul e Sudeste”, lamenta Paul Steffen, presidente da Amport e diretor de operações do TGPM (Terminal de Grãos Ponta da Montanha), o primeiro instalado no país após a Lei dos Portos.

O mapa dos investimentos logísticos em andamento ou previstos para potencializar a saída pelos portos do Pará inclui ferrovias, hidrovias e rodovias por eixos que vão de Rondônia até o Tocantins.“A logística pode se transformar no principal vetor de desenvolvimento do Estado”, avalia o empresário Eduardo Carvalho, presidente do Movimento Pró-Logística do Pará, criado este ano e que reúne armadores fluviais, operadores portuários, terminais privados e as federações da indústria, comércio e agricultura.“Esse conjunto de investimentos irá viabilizar a produção local”, diz Paul Steffen, da Amport.

Em nota, o Ministério dos Transportes culpou a recessão na economia mundial pelo ritmo lento na liberação de investimentos no setor portuário. Em relação ao Porto de Outeiro, a nota diz que a situação decorre da “falta de interesse atual dos investidores”.

Fonte: Revista Globo Rural

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Porto do Pecém: '2018 será ano de mudanças'.




Considerado um dos ativos cearenses cujo valor mais cresceu nos últimos anos, o Porto do Pecém prepara uma estrutura robusta para dar conta de uma movimentação de cargas ascendente e projeta para 2018, segundo afirma a diretora comercial Rebeca Oliveira, "um ano de mudanças". O cenário é propício à expectativa, pois os executivos do equipamento atuaram na captação de operadores mirando a ampliação do Canal do Panamá e, principalmente, a parceria com o Porto de Roterdã.

Os dois contatos convergem em benefícios ao Pecém no próximo ano, "com novos clientes e novos serviços que estão chegando", como revela a diretora. Já em 2017, a MSC preparou uma infraestrutura maior para transportar os contêineres que chegam carregados no Porto e levá-los diretamente para a Europa.

"Nós vamos trabalhar para expandir os negócios dos empresários cearenses, possibilitando novos serviços, com novas rotas nas mesmas linhas...", exemplifica Rebeca, indicando que tudo deve acontecer com mais intensidade no segundo semestre de 2018 por conta do envio da safra cearense ao exterior pelo Pecém. Até lá, ela estima o término da segunda ponte do Porto.

Cenário e contatos

Promessa de mudança no comércio internacional, a abertura do Canal do Panamá no ano passado após a ampliação é visada pelo governo cearense desde o início da obra, quando o Pecém foi apresentado como melhor opção de aporte para embarcações de grande porte que atravessam do Oceano Pacífico para o Oceano Atlântico rumo à África. O equipamento cearense preparou-se com obras e, de acordo com Rebeca, "ainda não tem muito o que fazer a não ser vender o porto". Ao afirmar que "isso realmente leva tempo para acontecer", ela revela que está em curso conversas com algumas linhas e também dúvidas são tiradas oportunamente, assim como "dar um feedback aos operadores que contatam".

"O Porto do Pecém é um porto novo, completou 15 anos agora e lentamente foi sendo conhecido", pondera, apontando novamente para 2018 como o ano onde deve ser mais visível os esforços comerciais. É justamente reconhecimento que a diretora comercial destacou na comemorada parceria que o Ceará fechou com o Porto de Roterdã, na Holanda. Após idas e vindas do governador Camilo Santana e de executivos do porto estrangeiro, o Estado anunciou a parceria que trará consultoria completa à operação do Pecém e deve apresentá-lo ao mundo no setor.

"Ter o nome deles (Roterdã) é muito importante, porque empresas vão querer se instalar no Porto do Pecém só por isso, além de ter a visão deles. Vejo um futuro muito brilhante e estou ansiosa com isso", afirmou.

Movimentação

Enquanto a convergência destes dois elementos cruciais para o equipamento cearense ainda não acontecem, o Porto do Pecém segue comemorando mês a mês o crescimento dos indicadores de movimentação de cargas. O último balanço, fechado em maio, dá conta de uma expansão em 92% sobre os cinco primeiros meses de 2016, ao contabilizar cerca de 6 milhões de toneladas movimentadas.

"O grande volume de movimentações através do Porto do Pecém é resultado dos investimentos que o Estado do Ceará tem realizado. Agora, começamos a colher esses frutos e, com certeza, até o fim de 2017 esses números comprovarão a capacidade do Pecém de se tornar uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias não só para o Nordeste, mas para todo o País", declarou Danilo Serpa, presidente da Cearáportos - empresa responsável pela administração do Porto do Pecém.

Crescimento

A expectativa, segundo revela a diretora comercial, é que neste ano sejam movimentadas 14 milhões de toneladas, o que torna-se a cada mês mais crível, vide os resultados apresentados agora. Ao mesmo tempo que as importações aumentaram 63% em maio quando registrou 4.807.970 toneladas, as exportações avançou em quase quatro vezes, ao chegar a 1.661.401 toneladas. Os números são resultado de crescimento em todas as cargas: granel sólido (78%), carga solta (644%), container (24%) e granel líquido (14%).

O transporte de minério de ferro (1.588.938 t), produtos siderúrgicos (132.884 t), arroz (76.308 t), plásticos e suas obras (53.403 t), e embarques de farinha de trigo (52.817 t), sal (50.815 t), placas de aço (27.613 t) e cimentos (23.071 t) fez, inclusive, a cabotagem expandir em 132% no Porto do Pecém no período.

Fonte: Diário do Nordeste

Santos lidera operação de contêineres na América Latina.



Segundo o levantamento, Santos operou 3.393.593 TEU no último ano (Foto: Carlos Nogueira/A Tribuna)

Mesmo diante daquela que é considerada a pior crise econômica da história do Brasil e com uma movimentação de cargas 5,1% menor, o Porto de Santos manteve a liderança na movimentação de contêineres na América Latina e no Caribe no ano passado. O dado integra o levantamento sobre esse tipo de operação portuária no subcontinente realizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e divulgado no início da semana, em Santiago, no Chile.

A Cepal – unidade da Organização das Nações Unidas (ONU) criada para incentivar a cooperação econômica entre os países da América Latina e o Caribe – organiza essa pesquisa desde 1999, a partir de dados coletados com autoridades portuárias e terminais.


Segundo o levantamento, Santos operou 3.393.593 TEU (unidade padrão do setor, equivalente a um contêiner de 20 pés) no último ano, ficando em primeiro. Foi a mesma colocação obtida em 2015, quando operou 3.645.448 TEU. Os dados registrados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária santista) ainda apontam resultados maiores, com 3,56 milhões de TEU em 2016 e 3,77 milhões de TEU no exercício anterior.

Em seguida, na relação da Cepal, estão os complexos panamenhos de Colón (3,25 milhões de TEU) e Balboa (2,98 milhões de TEU). 

Considerando os 20 maiores portos, o Brasil também está representado por Navegantes (o terminal privado Portonave, em Santa Catarina), que ficou em 16º , com 895.375 TEU, e Paranaguá (Paraná), em 20o, com 725.041 TEU.

Queda regional

No geral, o movimento de contêineres na América Latina e no Caribe caiu 0,9% no ano passado, chegando a 47,5 milhões de TEU. Santos também registrou queda, consequência da crise econômica que afetou o comércio exterior brasileiro. Pelos números da Cepal, ela foi de 7%. Os dados da Codesp apontam uma redução de 5,72%.

Essa diminuição, segundo a unidade da ONU, mostra “a contínua desaceleração do comércio exterior na região”, movimento capitaneado por Brasil (com queda de 4,4% na atividade portuária) e Panamá (-9,1%).

Fonte: A Tribuna

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O seguro no transporte marítimo: Temas controvertidos.



No Brasil, é grande a insegurança jurídica para as seguradoras de carga em ação regressiva contra o transportador marítimo (carrier), especialmente, o estrangeiro, e/ou seu agente intermediário.

Seja em relação ao direito material, seja em relação aos aspectos processuais, há dificuldade para manejar com eficácia os institutos do Direito Marítimo, desde a citação até a execução da sentença.

Identificar se é uma avaria marítima ou avaria portuária é o primeiro problema, independente de ser em contrato de afretamento (utilização) ou de transporte, e obter a procedência do pedido numa ação de regresso ou de indenização, não significa que haverá liquidez.



Atuando no setor de transportes marítimos desde 1981, como Oficial de Náutica da Marinha Mercante, piloto de navios no longo curso por quatro anos, e desde 1992, como advogado (UERJ/1991), tenho observado muitas críticas de advogados do setor securitário da carga, neste sentido.

Muitas delas se devem à aplicação pelo Judiciário (não diferente de outros) de institutos do Direito Marítimo, como a (i) avaria grossa; (ii) a ratificação judicial do protesto marítimo; a (iii) limitação da responsabilidade civil e (iv) as Regras de York e Antuérpia, que foi controvertida entre 2004 e 2016, ao excluir despesas de salvamento do navio em caso de avaria grossa, por exemplo, mas aplicada pelos armadores, assim mesmo, e que voltou a ser coberto pelo seguro, após alteração da RYA de 2016.

Esta insegurança, que culmina com a improcedência de boa parte das ações, se deve ao desconhecimento de particularidades destes institutos por grande parte dos comissários de avarias, reguladores de avarias (CPC arts. 149 e 707, em diante) e sinistros e, especialmente, importadores, exportadores, juízes e advogados da carga, sem capacitação adequada.

Mencione-se, ainda que, embora grande parte das cargas não tenha seguro, mesmo assim, contribui para a avaria grossa em igualdade de peso=preço=percentual.

O Direito Marítimo é uma disciplina com mais 4.300 anos e tem origem no Código de Hamurabi (séc. XXIII a.C.). Não dá para atuar nesse ramo com a percepção de outras disciplinas, como o Direito Civil. Ele é diferente, por isto tem influenciado todas as disciplinas do setor de transportes.

Aqui, tratarei somente dos quatro institutos acima. Menciono a existência de muitos outros problemas decorrentes das cláusulas de exoneração da responsabilidade civil; da legislação aplicável (convenções não ratificadas pelo Brasil); das cláusulas abusivas e de eleição do foro no estrangeiro, que confundem o intérprete na busca de uma juridicidade adequada que equilibre os interesses em conflito.

A (i) avaria grossa, regulada pelo CPC, Código Comercial e Decreto-Lei n. 116/67, foi criada pelos armadores em face da necessidade de dividir despesas extras, feitas deliberadamente para a manutenção da expedição marítima.

Os valores a serem distribuídos entre as partes que se encontram na expedição são definidos pelo regulador de avarias, que classifica os prejuízos causados por avaria grossa ou comum e exclui os danos relativos à avaria simples ou particular sob encargo do dono do navio ou armador e fixa a contribuição de cada interessado para indenização. Via de regra, apura a responsabilidade, os direitos e deveres entre segurado e segurador.

A AG é um instituto complexo e previsto no art. 764 do Código Comercial. São precisos diversos requisitos, bem como prova técnica, para que a AG seja declarada e válida. A mera declaração do armador, per se, não significa que o usuário tenha que contribuir.

O mesmo ocorre com a (ii) ratificação judicial do protesto marítimo, a ser feito no primeiro porto de destino, em até 24 horas da chegada do navio. A ratificação é homologada por sentença, todavia, a presunção de veracidade das alegações do carrier é relativa, e pode ser afastada por qualquer legitimado em ação própria. Assim, a mera ratificação, documento unilateral, não é suficiente para exonerar a culpa presumida do Carrier e a ausência de ratificação não impede a discussão da matéria.