segunda-feira, 16 de maio de 2016

TERMINAIS DE CONTÊINERES VÃO À JUSTIÇA CONTRA UNIÃO POR PORTO SECO.


A possibilidade de concessão de novas licenças de portos secos no país está levando os terminais de contêineres a questionarem na Justiça a União e a Receita Federal. A discussão tem como pano de fundo o rentável mercado logístico para cargas do comércio exterior, sobretudo na importação. O embate envolve os chamados Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIAS), uma espécie de porto seco que presta serviços de movimentação e armazenagem de cargas alfandegadas. A polêmica ganhou força em abril a partir de uma decisão judicial obtida pela Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec).

A entidade, que reúne os terminais de contêineres do país, conseguiu liminar na 5ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo para suspender todos os processos administrativos em curso nas superintendências regionais da Receita Federal que tenham por objeto o licenciamento e alfandegamento de CLIAS pendentes de liberação depois de encerrada a vigência da Medida Provisória 612/13. A MP expirou em agosto de 2013 e não foi convertida em lei.

O que está em jogo é uma questão de concorrência uma vez que muitas das empresas da Abratec, que começaram investindo em terminais marítimos, expandiram suas atividades para o segmento de portos secos no qual ingressaram depois de disputar licitações da Receita Federal. A prestação de serviços de armazenagem, em especial na importação, é atividade muito rentável, dizem fontes.

Segundo especialistas, embora CLIAS e portos secos tenham a mesma função - prestar serviços de movimentação e armazenagem para cargas de importação e exportação - ambos têm regimes jurídicos diferentes. Os portos secos são concedidos mediante processos licitatórios da Receita Federal e têm prazos fixos para operar, podendo ser renovável. Já os CLIAS são autorizados por licenças e operam por prazo indeterminado desde que cumpram as exigências determinadas pela Receita.

Na ação, a Abratec argumenta que a Receita Federal passou a permitir, no fim de 2015, quase três anos depois do término da vigência da MP 612/13, que interessados na obtenção de licenças apresentassem novos documentos para dar andamento aos pedidos de CLIAS. O entendimento da Abratec é de que a Receita Federal tenta atribuir uma "inusitada" pós-eficácia à MP 612/13. "A concessão de licenças sem base legal e a iniciativa da Receita Federal geram instabilidade no setor portuário", diz na ação o advogado da Abratec, José Roberto Castro Neves, do escritório Ferro, Castro Neves, Daltro & Gomide Advogados.

A Advocacia Geral da União (AGU) afirmou que foi citada na ação em 4 de maio, assim como também foi intimada da concessão da liminar em favor da Abratec. A AGU recebeu os autos do processo no dia 6, para analisar e preparar o recurso cabível. "A medida judicial a ser adotada ainda não foi apresentada", disse a AGU, que representa a União, ré na ação.

Segundo a Abratec, a Receita, por meio da nota Coana 447/15, passou a permitir que interessados na obtenção de licenças de CLIAS apresentem novos documentos a partir do fim de 2015. Quando a MP 612/13 expirou havia 83 pedidos de CLIAS em análise na Receita, sendo que 60% do total (50 licenças) correspondiam a antigos portos secos que tinham interesse em migrar para o modelo de CLIAS.

A Receita Federal afirmou que, ao contrário do que afirma a Abratec, a nota Coana 447/15, não tenta atribuir "pós-eficácia" à MP 612/13. "A nota visa somente orientar, padronizar e uniformizar procedimentos e entendimentos no âmbito da Receita Federal quanto ao saneamento de irregularidades fiscal e documental dos processos administrativos de licenciamento dos recintos [CLIAS]." Não há que se falar em inconstitucionalidade e nulidade da nota Coana 447/15 por violação aos princípios da legalidade uma vez que esse documento possui caráter "meramente orientativo", informou a Receita Federal.

Fonte: Valor Econômico/Francisco Góes | Do Rio

GIGANTE CHINÊS DESEMBARCA NO PAÍS E INVESTE EM PORTO DA WTORRE.


A China Communications Construction Company (CCCC), conglomerado chinês de infraestrutura, equipamentos pesados, e serviços de dragagem, acaba de desembarcar no Brasil. A primeira aquisição de ativo do grupo no país será uma participação no Terminal de Uso Privado (TUP) de São Luís, no Maranhão, projeto multicargas da WPR, braço de infraestrutura do grupo WTorre. O sócio chinês vai fazer aporte de R$ 400 milhões.

O termo de compromisso entre as duas empresa foi assinado ontem, conforme adiantou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. A CCCC entra como investidora no terminal, cujo projeto total está orçado em R$ 1,5 bilhão. Além do aporte da CCCC, o projeto irá captar R$ 1,2 bilhão em dívida, que deverá ser paga com receitas da própria operação do empreendimento.

A estimativa é que o TUP leve três anos para ficar pronto. As obras devem começar no segundo semestre, segundo informou o grupo WTorre ao Valor. Entre as cargas que serão movimentadas estão a produção agrícola do Meio-Oeste, fertilizantes, líquidos, carga geral e, futuramente, talvez contêineres.

A CCCC e a WPR não revelam a fatia de cada uma no projeto, que deverá ser negociada ao fim do processo de diligência realizado pelo banco Modal, assessor financeiro exclusivo da CCCC na região. Segundo afirmou o grupo WTorre, o controle fica com a WPR.

O projeto será desenvolvido em uma área de 2 milhões de metros quadrados, com acesso direto à BR-135 (que liga o Maranhão a Minas Gerais) e às ferrovias Carajás e Transnordestina. Terá capacidade anual para movimentar 24,8 milhões de toneladas.

A CCCC é a maior empresa de infraestrutura da China. Além de construir, opera ativos em outros países. No fim do ano passado tinha US$ 150 bilhões investidos em concessões de infraestrutura de transportes - de empreendimentos prontos aos ainda em construção. O conglomerado tem capital misto, mas o controle é estatal e está listado na Bolsa de Hong Kong. Em 2015, obteve receita equivalente a US$ 120 bilhões, sendo US$ 20 bilhões do braço internacional.

Na noite de quarta-feira foi inaugurado em São Paulo o escritório da CCCC South America Regional Company, holding 100% da CCCC. Foi criada para cuidar exclusivamente de negócios na América do Sul, onde o grupo asiático quer ter maior presença.

Hoje, a região responde por 1% do faturamento do braço internacional do grupo. A companhia tem projetos na Argentina, no Peru e na América Central, mas o maior potencial de crescimento é no Brasil. Até agora a CCCC atuava no país fornecendo equipamentos e serviços de suas subsidiárias, com a ZPMC, maior fabricante de guindastes portuários - responsável por 75% do mercado mundial -, e com a Shanghai Dredging Co., dona de uma das maiores frotas de dragas do mundo. A empresa já trabalhou nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio de Janeiro.

"É um grande mercado, há grande demanda por infraestrutura e boas oportunidades", disse ao Valor Chang Yunbo, presidente da CCCC South America Regional Company. A meta do grupo no país é investir em concessões e projetos privados de infraestrutura de transportes de forma completa, combinando vários tipos de "expertises" - desde o projeto, construção, serviços e modelagens de financiamento. Estão no radar portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

"Há muitas oportunidades, mas o Brasil ainda vai sofrer nos próximos anos escassez de capital disponível para investimento, por isso ter um parceiro como a CCCC é magnífico", diz Eduardo Centola, sócio do banco Modal.

Yunbo confirma. Diz que a CCCC tem capacidade muito forte de mobilizar financiamento na China, tanto com bancos estatais como com bancos comerciais. "Somos o melhor cliente desses bancos", afirma.

Os R$ 400 milhões que serão aportados de capital no TUP da WPR integram um pacote de US$ 1 bilhão que a companhia quer investir no Brasil. Mas não adianta onde nem de que forma o restante do recurso será aplicado. Apenas que os valores por projeto não devem ser menores que US$ 300 milhões. "Sem tamanho suficiente o custo [do negócio] será alto e você não será competitivo", diz Yunbo.

A crise econômica e política no Brasil não inibe a estratégia da CCCC. Yunbo diz ser necessário olhar as coisas mais realisticamente. "Todo país, toda economia tem seus problemas, não só o Brasil. Mas como investidores sempre olhamos no longo prazo, não estamos investindo hoje e vendendo amanhã", afirma. Para Centola, eis a maior diferença da CCCC. "Quando se tem um horizonte como esse, a forma como se mensura o risco é muito diferente".

Fonte: Valor Econômico/Fernanda Pires e Ivo Ribeiro | De São Paulo

sexta-feira, 13 de maio de 2016

GRUPOS PORTUÁRIOS VÃO TENTAR ALONGAR CONTRATOS VENCIDOS.



Empresas portuárias com contratos vencidos ou prestes a vencer, os chamados "pré-1993", já se articulam para tentar uma solução no provável governo de Michel Temer (PMDB), que teve ascendência nos portos - em particular no de Santos (SP), na segunda metade da década de 1990. Representados pela Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), ao menos 20 terminais em vários portos do país voltarão à carga para tentar ganhar mais prazo para continuar explorando as áreas da União nos portos - que ocupam sem terem passado por licitação. Algumas empresas não vinculadas à ABTP também o farão, apurou o Valor.

A regra da licitação como crivo para explorar área em porto público só foi estabelecida em 1993, com a primeira lei do setor. Os contratos antigos, que eram geralmente válidos por dez anos, deveriam ser adaptados a ela em até 180 dias. As empresas sustentam que o termo "adaptação" significava, entre outros, estender o contrato pelo prazo determinado pela nova lei de 1993 - até 25 anos -, mas que isso não foi feito.

"Pedimos reunião com o vice-presidente Michel Temer e com Eliseu Padilha para falar disso e de outros assuntos do setor", disse o presidente da ABTP, Wilen Manteli, referindo-se ao presidente em exercício a partir de hoje e ao mais cotado nome para a Casa Civil. A tese é fazer investimentos nas áreas e ganhar o tempo necessário para amortizá-los, desde que não exceda 25 anos - o prazo máximo da Lei dos Portos.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o PMDB seria mais permeável à concessão de um prazo adicional às empresas. Na conversão da MP dos Portos em lei, em 2013, houve várias emendas que davam mais tempo para esses contratos. Sobreviveu uma, mas a presidente afastada Dilma Rousseff a vetou. As empresas, contudo, nunca se deram por vencidas. Tentaram aprovar uma saída nas gestões dos ex-ministros dos Portos Edinho Araújo - com menos intensidade - e na de Helder Barbalho, ambos do PMDB. O pleito chegou no segundo semestre do ano passado à Casa Civil, mas não avançou.

Se adotada, a medida desidratará o programa de arrendamentos portuários, pois nas 93 áreas previstas para irem a leilão há ao menos 20 terrenos de contratos pré-1993. Algumas áreas foram aglutinadas nos editais para formar terminais maiores, com ganho de escala, como é ao redor do mundo.

Eliseu Padilha foi ministro dos Transportes de 1997 a 2001, quando foram feitas as primeiras licitações portuárias e se cunhou o termo "favelização" para designar alguns trechos de alguns portos. O termo, popularizado nos anos 90, se refere ao fatiamento de áreas concedidas sem planejamento, que gerou pequenos terminais.

Foi a época que o PMDB mais teve ascendência em Santos. O então deputado federal Michel Temer avalizou nomes para a presidência da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a estatal que administra as terras da União no porto de Santos. O mais longevo foi Marcelo de Azeredo (1995-1998), que depois foi morar nos Estados Unidos.

Em 1999, o então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, atacou Temer, numa das brigas que ambos travaram. "Se abrir um inquérito no porto de Santos, ele ficará péssimo", disse ACM, conforme relatos da época. Procurado, a assessoria de Temer informou: "Todas denúncias sobre a Codesp envolvendo Michel Temer foram arquivadas por absoluta falta de consistência e materialidade, após exame do Ministério Público Federal e anuência da Procuradoria Geral da República".

A Codesp estava então sob investigação do Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU). Em acórdão do TCU de 2002, sobre auditoria nos contratos de arrendamentos e serviços firmados pela estatal portuária, o TCU lista áreas concedidas sem licitação, mudança de objeto de contrato, troca de áreas e perdão de dívidas por parte da estatal - como no caso do navio cimenteiro "Heraclis Spirit", que zarpou sem que a empresa responsável por alugar o trecho de cais pagasse todas as tarifas à Codesp, gerando calote de R$ 7 milhões em 1998.

Em outro caso, a estatal deixou de fazer licitação para exploração de dois armazéns e de um terminal. O TCU determinou que a Codesp realizasse a concorrência, mas isso nunca aconteceu. Em 2009 a corte reviu a posição e convalidou o contrato.

A Codesp sempre foi, em maior ou menor medida, feudo político-partidário. Depois do PMDB transitou para as mãos do PR, no primeiro governo Lula. Com a criação da Secretaria de Portos (SEP), em 2007, os portos públicos saíram da esfera do Ministério dos Transportes. A SEP foi assumida pelo PSB e, no segundo governo Dilma, voltou para o PMDB. Abaixo da presidência, também as diretorias da Codesp eram ocupadas por indicados de partidos da base.

Procurada, a Codesp disse que os arrendamentos estão regulares, sustentou que "eventuais situações levantadas" pelo TCU estão sendo analisadas e que "se reserva de comentar decisões das gestões anteriores da empresa".

Quando Wagner Rossi, também ligado a Temer, assumiu a Codesp em 2000, esses casos já tinham estourado. Rossi disse na ocasião que faria um pente fino em 50 contratos de arrendamentos e serviços para apurar eventuais irregularidades. "No que me competia dei seguimento aos procedimentos relativos às questões arroladas, muitas das quais foram objeto de processos judiciais. Não só não arquivei qualquer procedimento administrativo a eles referente como estimulei os órgãos competentes na administração da Codesp a dar continuidade rigorosa às apurações", disse ao Valor. Segundo ele, Temer nunca lhe pediu nada nem qualquer outra autoridade tentou interferir em sua administração.

Na gestão de Rossi, a Codesp pagou R$ 126 milhões à Previdência de dívida de empresas contratadas pelo porto de Santos. O caso foi objeto de julgamento judicial transitado em julgado, em desfavor dos que questionaram o acordo entre a estatal portuária e a Previdência.

Mas foi em 1998, um pouco antes da gestão Rossi, que a Codesp, então sob presidência de Paulo Fernandes do Carmo, fechou o negócio que mais tarde seria a causa do maior passivo da estatal - o "caso Libra ", que se tornou a mais ruidosa novela do setor portuário.

A Libra é uma empresa da família Borges Torrealba, do Rio de Janeiro, que tem atuação no porto de Santos desde 1995, quando arrematou sua primeira área no cais, o Terminal 37.

O problema começa três anos depois, quando o grupo venceu a licitação para explorar o Terminal 35 ao oferecer à Codesp a melhor proposta: um valor dez vezes maior que o fixado no edital pelo aluguel da área; royalty por contêiner movimentado cinco vezes superior; e movimentação mínima quatro vezes acima do previsto. Ainda em 1998 a Libra começou a contestar as faturas alegando que recebera a área em desconformidade com o edital.

Deixou de pagá-las na íntegra e se tornou a maior devedora do porto, apesar de nunca reconhecê-lo ao argumentar que não recebeu o prometido. Passou a pagar o que considerava justo em juízo. "A Libra Terminais jamais esteve inadimplente. Durante todo o período de arrendamento, pagou os valores do T-35 em juízo, mensalmente e de forma regular, sempre cumprindo as decisões judiciais", disse a empresa em nota. Em 2014 o débito da Libra respondia por 94% do R$ 1,14 bilhão de contas a receber da Codesp, conforme balanço da estatal na ocasião.

Sem acordo entre as partes, a salvação para a Libra veio das mãos do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 2013. O parlamentar conseguiu aprovar emenda na Lei dos Portos que, na prática, permitia a renovação de contratos de empresas inadimplentes desde que o débito fosse discutido em arbitragem, uma novidade. No dia 9 de junho de 2015 o governo baixou o decreto regulamentando a arbitragem portuária logo depois de anunciar a segunda fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), no Palácio do Planalto. Segundo fontes presentes no evento, de imediato o instrumento foi batizado de "decreto Libra".

Três meses depois, a Libra assinou a arbitragem para debater o valor do débito que tem com a Codesp há 17 anos. E renovou o contrato do Terminal 35 no porto de Santos por mais 20 anos, unificando os três contratos que explora no cais (além dos Terminais 35 e 37, o 33). Com isso, se comprometeu a investir R$ 750 milhões em um único terminal de contêineres.

A família Borges Torrealba doou R$ 2 milhões à direção nacional do PMDB em 2014, além de R$ 500 mil ao comitê financeiro único do PMDB do Rio de Janeiro. Questionada se houve relação entre as doações e a aprovação do decreto de arbitragem e renovação do contrato, a Libra não respondeu.

"A manutenção do contrato de concessão dos três terminais hoje operados pela Libra em Santos depende do cumprimento incondicional da decisão da corte arbitral. No prazo inicial de 24 meses, os árbitros apontarão se há débitos a serem pagos e por qual das partes envolvidas. A decisão é irrecorrível. E um eventual não cumprimento levará à extinção do contrato de operação dos três terminais santistas. Não há, portanto, nenhum benefício ou prejuízo para Libra Terminais ou Codesp", disse o grupo.

O deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP), ministro dos Portos na época da renovação do contrato da Libra, disse que o processo seguiu toda a legislação e teve o acompanhamento da Advocacia Geral da União (AGU), Ministério do Planejamento, da própria Presidência da República, da Antaq (a agência reguladora do setor), e da área técnica da SEP. "O acordo é vantajoso para o poder público (a Codesp) e a empresa, uma vez que, devido à pendência judicial, a Libra vinha recolhendo apenas um valor estimativo mensalmente à Codesp", disse Araújo.

Questionado sobre como escolhia os presidentes das companhias docas quando era ministro dos Transportes, Eliseu Padilha não respondeu até o fechamento desta edição. O Valor não conseguiu contato com os demais presidentes da Codesp citados na matéria - Marcelo de Azeredo e Paulo Fernandes do Carmo.

Fonte: Valor Econômico/Fernanda Pires | De São Paulo

BRASIL RETOMA EXPORTAÇÃO DE BOVINOS VIVOS PARA O EGITO.

A partir de agora, os pecuaristas brasileiros poderão retomar as exportações de bovinos vivo para o Egito. Isso porque o governo egípcio aprovou o certificado zoossanitário do Brasil para venda externa de gado em pé.

"Poderemos retomar um comércio que se tornou exitoso pela credibilidade, transparência e cooperação mútua entre os serviços veterinários brasileiro e egípcio", disse o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Marques.

Entre 2009 e 2014, o Brasil foi fornecedor regular de bovinos para abate no Egito. Nesse período, o mercado brasileiro embarcou 75 mil cabeças de gado para aquele país.

No segundo semestre de 2014, as exportações de bovinos vivos foram interrompidas por causa de interpretações diferentes entre os serviços veterinários brasileiro e egípcio sobre testes laboratoriais de febre aftosa. Esses exames estavam previstos no protocolo firmado na época. Os dois países passaram, então, a renegociar um certificado veterinário que não impedisse o desembarque dos animais no Egito.

A última etapa dessa negociação foi realizada em Amã (Jordânia), em abril deste ano, durante a Conferência Regional para Aplicação de Padrões da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que contou com a participação do Mapa.

De acordo com Marques, o acesso e a manutenção de mercados importadores de bovinos são estratégicos para o Brasil, porque mostra o reconhecimento da excelência da condição sanitária do rebanho. "Isso é o resultado do esforço público e privado dentro do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, o Suasa."

Em 2014, as exportações totais de bovinos vivos pelo Brasil atingiram cerca de US$ 680 milhões.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

GOVERNO VAI INVESTIR R$ 2,6 BILHÕES NO SETOR PORTUÁRIO.


O ministro da Secretaria de Portos, Maurício Muniz, anunciou, ontem, terça-feira (10), após reunião com a presidenta Dilma Rousseff, aprovação de 15 atos que viabilizam investimentos de R$ 2,6 bilhões para o setor portuário em dez Estados.

Desse total, R$ 500 milhões virão de contratos de arrendamento para um novo terminal de celulose e um de grãos. “Então é um marco importante, já que são os primeiros que serão assinados hoje à tarde”, disse Muniz.

O restante, R$ 2,1 bilhões, é de Terminais de Uso Privado (TUP), empreendimentos cuja exploração das atividades portuárias ocorre sob o regime da iniciativa privada. A previsão é que os investimentos, que fazem parte do Programa de Investimento em Logística (PIL), estejam concluídos até 2018, disse o ministro.

No caso da TUP Pontal do Paraná (PR), vai receber R$ 1,5 bilhão para a construção do novo terminal para movimentação de contêineres, gerando cerca de 2 mil empregos diretos e outros 5 mil indiretos.

Já a TUP de Itapoá (SC), o investimento de R$ 488 milhões será usado na ampliação do píer e pátio dedicado à movimentação e armazenagem de cargas, implantação de uma nova ponte de acesso, aumento do cais e da retroárea, expansão da área da instalação física sobre a água, além de obras em edificações.

“É importante ressaltar que todo esse investimento vai ser realizado pelo setor privado. E ele está espalhado por diversos portos: Santa Catarina, Paranaguá, Belém, Santos. Esses investimentos vão gerar, nos próximos três anos, um conjunto significativo de empregos e aumento de renda para a população, além da movimentação de cargas para o setor portuário”, disse Muniz.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Blog do Planalto

terça-feira, 10 de maio de 2016

ENCONTRO NACIONAL DISCUTE FLEXIBILIZAÇÃO DA ATUAL LEI DOS PORTOS.

O Porto de Cabedelo sediou ontem, segunda-feira (9), reunião com os presidentes dos Portos Delegados do Brasil. Na pauta a flexibilização da atual lei dos portos:

“É preciso dar maior celeridade nas licitações das áreas portuárias, permitindo investimento do setor privado e aumentando a movimentação e faturamento dos portos”, defende a diretora-presidente da Companhia Docas da Paraíba, Gilmara Temóteo, que organiza o encontro.

A questão alfandegária tem sido um dos principais temas abordados nas reuniões envolvendo todas as autoridades portuárias do país. Grupos de trabalho foram criados com objetivo de tratar de pauta comum, a exemplo do plano de modernização e guarda portuária.

Um dos resultados dessas reuniões de trabalho é o projeto para implantação de um plano nacional de modernização dos portos.

Os portos delegados são os de Cabedelo, Suape, Imbituba, São Francisco do Sul, Itaqui, Recife, São Sabastião, Paranaguá, Pelotas, Rio Grande, Porto Velho, Itajaí, Macapá e o porto de Porto Alegre.

As reuniões de trabalho são mensais e os encontros já foram realizados em Brasília, Pernambuco, Santos, Porto de Paranaguá e agora acontecerá no Porto de Cabedelo.

No Porto de Cabedelo será implantada sinalização náutica; o projeto de aumento da dragagem para 11 metros; além da definição de áreas do porto que têm potencial para investimentos e a reestruturação do berço 101, área onde atracam os navios petroleiros.

FONTE:Secom/PB

SANTOS BRASIL REVERTE LUCRO EM PERDA DE R$ 12,6 MILHÕES NO TRIMESTRE.

SÃO PAULO - A Santos Brasil, maior companhia brasileira de operação de terminais portuários de contêineres, registrou prejuízo de R$ 12,6 milhões no primeiro trimestre, revertendo lucro de R$ 15,9 milhões na comparação anual.

O resultado foi impactado pela piora na atividade operacional dos negócios de logística e do terminal de veículos — ambos registaram recuo de movimentação — e pela queda no volume de contêineres de importação, que pagam melhor, resultado da deterioração do comércio exterior.

A receita líquida da companhia caiu 33,6%, para R$ 197,2 milhões. O Ebitda no período foi de R$ 11,6 milhões, queda de 83,7% frente o primeiro trimestre de 2015.

A movimentação de contêineres na soma dos três terminais do tipo do grupo, contudo, aumentou 9,5%, totalizando 228,228 mil unidades. A alta se deveu à elevação de 10,4% e 6,5% no total de contêineres movimentados pela companhia nos portos de Santos (com o Tecon Santos) e de Vila do Conde (com o Tecon Vila do Conde), respectivamente.

A movimentação no terminal de veículos (TEV) recuou 14,2%, para 38,4 mil unidades, e a do braço de logística caiu 36,4%, para nove mil contêineres armazenados.

A Santos Brasil conseguiu, contudo, aumentar a fatia no porto de Santos para movimentação de contêineres, saindo de 33,1% para 38,4%, proporcionado pelo volume de dois serviços de navegação que escalam o Tecon Santos desde o fim de 2015.

Fonte: Valor Economico/Fernanda Pires e Camila Maia